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SOBRE EGOS INFLADOS: uma agulhinha no balão

  • Foto do escritor: pharmaciaphilosofi
    pharmaciaphilosofi
  • 27 de set. de 2024
  • 4 min de leitura

by: Kátia Vanessa Tarantini Silvestri


Narciso de Caravaggio
Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.

Rubem Alves


Comecemos por dizer que quanto mais conhecimento tem um indivíduo, mais humilde ele é. Humildade do grego deriva de “humus”, raiz que também é semântica de homem, humanidade e humilde; “humilis” - aquele que está no chão. Estar no chão não no sentido pejorativo, difamatório ou discriminatório, mas no sentido de estar ciente de que somos poeiras de universo, pois o saber, o saber realmente conquistado pelo exercício mental e oxigenado da reflexão não se alinha, de forma alguma, com a arrogância de um ego inflado.

Já na perspectiva das psis e da filosofia, sabe-se que indivíduos egóicos, com egos extremamente inflados – a ponto de estourar - são pessoas que, mesmo que não saibam, estão deixando bem claro às demais pessoas com bom senso ou com conhecimentos específicos sobre a psique humana, sua extrema fragilidade.

Pode-se listar algumas das mais comuns características de um indivíduo de ego inflado – e vejam o aparente paradoxo para os que estão pela primeira vez se debruçando sobre essa reflexão:

  •        Insegurança

  •        Autoestima frágil

  •        Sentimento de grandeza

  •        Incapacidade de reconhecer sentimentos alheios

  •        Distorção da realidade

  •        Exibicionismo

  •        Reage mal a críticas

  •        Ser queixoso

  •        Vitimizar-se

  •        Desculpar-se em demasia

  •        Desprezo aos outros

  •        Intolerância

  •        Não ter filtro (falas inapropriadas)

Vale esclarecer que um indivíduo extrovertido, por exemplo (sempre aos risos pelos corredores, falando alto, expondo a própria vida etc.) pode estar (e quase sempre está ensina a clínica) ocultando de si mesmo uma extrema insegurança. Um indivíduo que reclama de tudo, se fazendo de crítico, nem sempre é de fato um crítico, mas um simples egóico. Por outro lado, aquele que se vitimiza é também um outro exemplo de um ego inflado. Notem que alguns comportamentos revelam o oposto do que aparentam no senso comum.

Em toda parte havemos de encontrar uma permanente unidade na responsabilidade – não a permanência de um conteúdo, nem uma lei permanente do ato, posto que todo o conteúdo, é só um momento constituinte – mas um autêntico fato de reconhecimento, um reconhecimento, um fato único e irrepetível, emocional e volitivo, concretamente individual (BAKHTN. Para uma Filosofia do ato responsável, 1997, p. 46).

O ego inflado é uma forma do inconsciente se “proteger” da tomada de consciência sobre si mesmo. A realidade sobre si mesmo pode ser muito dolorosa e o indivíduo inconscientemente travar uma luta consigo. Essa proteção somente é benéfica se for temporária, há situações que levam os indivíduos a entrarem em mecanismos de defesa, mas quando se tornam uma forma de ser, então o indivíduo está com a saúde mental em abalada.

 Incapaz de autoavaliação, de autoanálise, os indivíduos que sofrem desse mal, desse mecanismo de defesa, sofrem visto que suas relações são arruinadas por eles mesmo. E, viver os dias, na defensiva, como fazem os indivíduos de ego inflados é desesperador. Em alguns casos, além das razões originadoras do ego egóico, o indivíduo fica preso a um círculo de ignorância (não busca o saber, o autoconhecimento e a cura) e, seu ego, cada vez maio cheio de ar, mas só ar, cada dia maior e vazio, tende a estourar...

Cabeça de homem surreal na nuvem (Istock - imagens gratuitas)

Os meios em que indivíduos com egos inflados estão/convivem se tornam meios pesados, polêmicos e, todos os envolvidos, direta e indiretamente com esses indivíduos, são afetados e o clima se torna, extremamente desgastante.

O egoísmo seca o gérmen de todas as virtudes; o individualismo apenas extingue a fonte das virtudes públicas; mas à distância, ataca e destrói todas as demais e funde-se enfim com o egoísmo.

         Tocqueville, Da democracia na América, 2005, p. 324.


O infantilismo, não superado, contribui para um ego egóico e, o indivíduo saudável é aquele que deixa o infantilismo na infância.

Uma forma de começar a trabalhar sobre si mesmo é se observar, verificando seus comportamentos e o como de fato se sente sobre suas próprias ações. Mais precisamente, tirar o ego (quando presente de forma extrema, egóica) da equação é um caminho, pois o egoísmo é também uma preocupação excessiva com as próprias vantagens à custa dos outros.

Se pergunte, faça uma auto avaliação:

  • Numa palestra você é capaz de ouvir de fato o palestrante ou fica falando o tempo todo (pelos cantos) com os que estão ao seu redor?

  • No trânsito, um carro quer adentrar em sua frente, você reduz?

  • Você se sente poderoso quando humilha alguém? A expressão atual é “lacrei com fulano” ou para os mais velhos, “lavei a alma”

  • Você se desculpa demais?

  • Você sente felicidade por pessoas que conquistam coisas, experiências ou no fundo somente finge felicidade?

Por detrás de todo ego inflado há um humano em sofrimento. As causas de alguém se tornar egóico se originam de diferentes fontes e é necessário terapia para identificá-las e superá-las, ou ao menos, entendê-las e ser pôr em movimento de cura.

Não se deve confundir uma mente lúcida, objetiva, sagaz e assertiva com um ego inflado. Amor próprio, respeito, autoestima são características de uma mente sadia. Mas, se seu ego estiver quase estourando, ao ler esse pequeno ensaio, pode estar se sentido incomodado, relutante, incrédulo etc. é mais um exemplo de um ego inflado.


 
 
 

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